É admirável como ainda se têm ingênuos que em relação à arte ainda dizem absurdas bobagens. Eu como proprietário de uma galeria de arte, vejo periodicamente ingênuos que pensam ser possível fazer uma arte independente do sistema econômico.
Ora, todos sabem que o que interessa ao mercado hoje são as belas instalações, videoarte, performance, body-art, etc. Mas esses ingênuos ainda insistem em encarar antigas linguagens à sério. Pensam em dedicar anos à fio em busca de uma linguagem apurada em modalidades em desuso, como a pintura, gravura ou escultura. Digo em desuso, claro, no sentido que se pretende antiquado. Estou de acordo, como um professor universitário certa vez disse, que para continuarem essas modalidades devem se transformar. Assim é elogioso que artistas substituam tintas por sangue, fezes, esperma e outros excrementos. Ou que utilizem o ânus ou a vagina como matriz em gravura. Ou ainda que utilizem como base para a escultura materiais diversos como fetos humanos, mas que guardam uma profunda poesia interior. Esses sim, com o apoio de nossas bravas mídias, chegarão ao topo dos mais cotados no Artprice (www.artprice.com). Ou pelo menos de uma mais modesta, a nível nacional.
Um exemplo de sabedoria é o das Guerrilla Girls que reivindicavam o direito de ter a benção dos museus sem terem que abrir as pernas. Mas mais sábia ainda foi Marina Abramovich, que abriu as pernas e revelou uma inquietante vagina artística. Enfim, é a arte. E é isso que torna a vida mais suportável.
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