segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

O pensamento de Paul Pinto

O bom de ser inconseqüente é saber que na melhor das hipóteses tudo vai dar errado.

Alguns artistas são como aquela prostituta que faz só porque gosta. Mas ninguém acredita porque as outras na maioria das vezes estão fingindo.

Num mundo onde tudo é passível de se tornar imagem, a imagem subversiva é a que se esconde.

Se alguém morre pagão, foi castigado. Se morrer crendo, foi convidado ao paraíso.

Não entendi o que o velho Sêneca tinha contra os sofistas. Hoje em dia eles cagam no museu e recebem o reconhecimento que merecem.

A arte é a mentira que torna tudo verdade. Por isso se canta a prece, contam-se histórias sobre os deuses, constroem-se imagens sobre o que não existe.


Segundo Bataille a moda “é o espetáculo que os homens dão a si mesmo de fazer significar o insignificante”. Estão querendo estender isso pra arte. Não entendi.

domingo, 12 de outubro de 2008

Nuevos Grabados

Novas gravuras em metal. Algumas em exposição até dia 31 de outubro de 2008, no Palácio da Cultura na Praça Universitária. Exposição aberta ao público das 09h até as 18h.












quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Gravura








Estou produzindo gravuras como parte de uma ampliação de repertório técnico para minhas malfadadas expressões mundanas. As que estão aqui são gravuras feitas em ponta seca, o modo mais direto de gravação em metal. Em breve postarei mais gravuras, porque as melhores são sempre as próximas.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Sábios Pensamentos de Paul Pinto

Gravura japonesa do séc. XIX

Não basta viver o hoje. É preciso viver só hoje.
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O artista come amanhã o que deu ontem.
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A humanidade está dividida ente os que praticam o ócio, os que trabalham e os que compram os que trabalham e os que praticam o ócio.
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O trabalho é muito dignificante. Por isso eu prefiro dignificar os outros.
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Entre a Arte e o sexo eu prefiro o sexo. Dá mais prazer e não preciso gastar muito.
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A arte sem sexo é igual casamento.
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O casamento possui data de validade de no máximo um ano. Os que passam a vida juntos são admirados pelo que sacrificaram.

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A bebida deve ser boa o suficiente pra me deixar bêbado antes que eu perca a paciência com o próximo.
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90 % das mulheres são lindas de quatro.
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A arte pode não salvar ninguém, mas acolhe todos os condenados.

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O pós-modernismo é o freezer da história.
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sábado, 30 de agosto de 2008

Exponha na Galeria Pinto

Estão abertas as inscrições para exposições na mostra de novos talentos na Galeria Felizardo Pinto, com filiais em Londres e Paris. A exposição, depois de se apresentar no Brasil irá primeiramente a Londres e posteriormente irá a Paris. Eu e mais três artistas iremos selecionar trabalhos de artistas iniciantes para a exposição que pretende dar ênfase na produção de artistas desconhecidos, mas que possuem talento e trabalhos de nível. Artistas mulheres, que realmente sejam mulheres (no sentido cristão ocidental) que se interessarem, poderão apresentar uma performance num apartamento que mantenho em Ipanema especialmente para fins artísticos. O trabalho consiste em incorporar uma performance criada pela artista argentina Marietta Persona, onde ela simula ser a esposa de homens desconhecidos que se apresentavam, e onde ela lhes prestava toda sorte de favores sexuais desejados pelo período de uma noite, desde que na manhã seguinte o participante deixasse que ela registrasse uma foto de seu rosto. A foto se mostrará desnecessária no caso em que proponho. Assim se o desempenho for interessante a artista poderá enviar um ou dois trabalhos para a exposição. É bom lembrar que o ato performático tem apenas um caráter estético e artístico, sendo apenas um rigoroso teste, onde nada usufruirei além da fruição da obra. As senhoras e senhoritas interessadas, favor enviar e-mail para meu endereço eletrônico: felizardopinto@gmail.com , onde é importante que contenha foto de corpo inteiro da artista para maior interpretação de como se posiciona a artista frente o campo artístico e a produção contemporânea.

O mercado põe a aura

Em um texto que escrevi a algum tempo eu tinha afirmado que a aura da obra de arte que Walter Benjamin dizia que a era de reprodutibilidade técnica tinha posto em crise havia na verdade se dilatado a ponto de se ter hoje uma relação híbrida de uma espécie de “teologia econômica” da arte, sendo que o objeto de culto é instituído pelo mercado ou elite econômica e/ou cultural. Por exemplo, temos o caso das fotografias que registram obras como performances, land-art, ações, etc. e que depois, com a assinatura do artista passam a valores exorbitantes. São casos como do artista francês Michel Comte. Ele vendeu em abril, num leilão da Christie's, uma fotografia de 1993, cuja modelo é Carla Bruni, atual primeira-dama da França por 91 mil dólares. Aí lembramos do que disse o velho Benjamin no seu célebre A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica diz: “Da chapa fotográfica pode-se tirar um grande numero de provas; seria absurdo indagar qual delas é a autêntica. Mas, desde que o critério de autenticidade não é mais aplicável à produção artística, toda a função da arte fica subvertida. Em lugar de se basear sobre o ritual, ela se funda, doravante, sobre uma outra forma de praxis: a política”.
O absurdo de se pagar tal preço por uma imagem que pode ser repetida milhares de sem se definir o original está explicado na economia às avessas do campo artístico, que Pierre Bourdieu analisa em As regras da arte. A estratégia consiste em uma espécie de capital simbólico onde se coloca a assinatura do artista, o interesse que desperta o objeto focado e a ilusão de originalidade, revertidos em capital econômico.
A mágica se constrói em torno da assinatura do artista, do atestado de originalidade (mesmo que o “original” não seja tão original assim), e é a mesma que se estabelece com os produtos e suas marcas. Seria preciso discutir que tipo de ações o artista hoje precisa tomar para preservar sua autonomia (caso queira, claro) em relação ao mercado, sem se sentir ameaçado por reconhecimentos desvairados do mercado de arte.

domingo, 24 de agosto de 2008

Vaginas Famosas Por Dotes Artísticos

É admirável como ainda se têm ingênuos que em relação à arte ainda dizem absurdas bobagens. Eu como proprietário de uma galeria de arte, vejo periodicamente ingênuos que pensam ser possível fazer uma arte independente do sistema econômico.
Ora, todos sabem que o que interessa ao mercado hoje são as belas instalações, videoarte, performance, body-art, etc. Mas esses ingênuos ainda insistem em encarar antigas linguagens à sério. Pensam em dedicar anos à fio em busca de uma linguagem apurada em modalidades em desuso, como a pintura, gravura ou escultura. Digo em desuso, claro, no sentido que se pretende antiquado. Estou de acordo, como um professor universitário certa vez disse, que para continuarem essas modalidades devem se transformar. Assim é elogioso que artistas substituam tintas por sangue, fezes, esperma e outros excrementos. Ou que utilizem o ânus ou a vagina como matriz em gravura. Ou ainda que utilizem como base para a escultura materiais diversos como fetos humanos, mas que guardam uma profunda poesia interior. Esses sim, com o apoio de nossas bravas mídias, chegarão ao topo dos mais cotados no Artprice (
www.artprice.com). Ou pelo menos de uma mais modesta, a nível nacional.
Um exemplo de sabedoria é o das Guerrilla Girls que reivindicavam o direito de ter a benção dos museus sem terem que abrir as pernas. Mas mais sábia ainda foi Marina Abramovich, que abriu as pernas e revelou uma inquietante vagina artística. Enfim, é a arte. E é isso que torna a vida mais suportável.